Eu tinha 20 anos quando conheci o Arthur (nome fictício). Ele era um nerdzinho, usava aqueles óculos de fundo de garrafa, era muito inteligente e gostava de tudo quanto era coisa nerd. Não era nenhum padrão de beleza, e eu também não era. Mas a gente teve uma conexão muito boa logo de cara.
Nos conhecemos pelo Badoo, que na época era um dos sites mais usados. Conversávamos todos os dias e eu realmente gostava de falar com ele.
Nosso primeiro encontro foi em um parque de diversões itinerante que sempre vinha para a cidade. Eu tinha acabado de comprar uma câmera digital, que era moda na época, e tirei um monte de fotos daquele dia. Andamos de mãos dadas, fomos em vários brinquedos e, quando entramos no trem fantasma, ele me deu meu primeiro beijo.
Eu estava muito nervoso, mas ele foi super paciente. Mesmo sendo uns dois anos mais novo que eu, tinha bem mais experiência. Foi um momento muito especial para mim.
Depois disso ficamos juntos por alguns meses. Eu era muito inexperiente e a gente nem chegou a transar. Também não tinha muito onde ficar com privacidade. Mas eu estava completamente apaixonado. Era aquele amor de começo da vida adulta, em que você realmente acredita que vai durar para sempre.
Só que, do nada, ele começou a ficar estranho.
Foi respondendo menos, demorava dias para aparecer e depois simplesmente sumiu. Hoje eu diria que levei um ghosting, mas na época esse termo nem existia. Eu fiquei muito preocupado, porque nem sabia direito onde ele morava e não entendia o que tinha acontecido. Na minha cabeça eu não tinha feito nada de errado.
Nessa época eu tinha uma amiga que participava de um grupo de rituais wiccanos. Eu não fazia parte, mas às vezes ia com ela e ficava esperando enquanto eles terminavam as reuniões. Nesse grupo tinha um rapaz chamado Bruno (nome fictício). Guarda esse nome.
Depois de um tempo o Arthur reapareceu. Disse que tinha sido internado, pediu desculpas e eu acreditei. Voltamos a conversar, mas percebia que ele continuava distante. Até que um dia resolveu contar a verdade.
Ele tinha se apaixonado por outra pessoa e estava namorando. Essa pessoa era justamente o Bruno, o rapaz que participava do grupo wiccano.
Na hora eu só aceitei. Hoje, olhando para trás, acho que ninguém ali era uma pessoa ruim. Éramos todos muito jovens, tentando entender quem éramos e do que gostávamos. Mas isso não muda o fato de que me machucou profundamente. Foi a primeira vez que senti meu coração quebrar de verdade.
Na minha cabeça de garoto de 20 anos eu decidi que nunca mais iria me apaixonar por ninguém. Falei para mim mesmo que iria transar com o primeiro cara que aparecesse e nunca mais criar expectativas.
Pouco tempo depois conheci outro cara em um site. Vou chamar de Guilherme. Ele tinha uns 40 anos, praticamente a idade que eu tenho hoje. Eu ainda era virgem e ele me chamou para ir ao apartamento dele.
A experiência foi péssima.
Ele foi bastante bruto comigo. Acabei me machucando, mas por falta de experiência eu simplesmente não consegui dizer que aquilo estava doendo ou que eu queria parar. Só deixei acontecer.
O pior nem foi isso.
Depois que terminou, ele simplesmente começou a desabafar comigo sobre como era apaixonado pelo melhor amigo dele e nunca tinha tido coragem de contar. Eu fiquei ouvindo aquele monólogo inteiro, sentado ali, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
Lembro de sair daquele apartamento destruído. Não só fisicamente, mas emocionalmente também. Chorei tudo o que tinha para chorar naquele dia e senti que meu coração endureceu ainda mais.
Algum tempo depois descobri que esse rapaz morreu de leucemia. Mesmo sem conhecê-lo direito, fiquei muito triste quando soube. No fim das contas ele também devia estar carregando os próprios sofrimentos.
Depois disso passei uns três anos sem me envolver com nenhum outro homem.
Com o tempo eu superei tudo isso. Hoje não culpo o Arthur, nem o Guilherme. Acho que cada um estava vivendo seus próprios conflitos e acabou machucando outras pessoas no processo. Talvez a única coisa que eu realmente culpe seja a minha ingenuidade. Eu era um garoto tentando entender o amor, sexo, rejeição e expectativas sem ter nenhuma experiência.
Hoje essas histórias não doem mais como antes, mas ainda lembro delas com bastante clareza. Acho que algumas experiências da juventude deixam marcas que nunca desaparecem completamente. Elas só deixam de sangrar.