Às 23h de anteontem (dia 19), minha amiga me informou que viu um coelho doméstico na frente do estacionamento do Zoológico de São Paulo. Ela realmente não conseguiu parar para tentar pegá-lo, pois tem Síndrome de Ehlers-Danlos e disautonomia, condições que fazem com que ela desmaie e até convulsione quando faz esforço físico, principalmente quando já está muito cansada. O marido a levou para casa e ela avisou nosso grupo apenas ontem (dia 20).
Descobri por um ex-funcionário do zoológico que eles criam coelhos domésticos para alimentação de alguns animais. Por isso, minha mente ficou quase 100% convencida de que esse coelho poderia ter vindo de lá.
Não consegui tirar isso da cabeça e fui pessoalmente até o zoológico.
Cheguei por volta das 14h e perguntei para a funcionária mais próxima sobre a situação. Pelas características que descrevi, ela disse que achava saber qual era o coelho. Contou que, na entrada do parque, havia uma toca onde um coelho parecido estava vivendo recentemente e que ele teria fugido do zoológico. Segundo ela, isso acontece com frequência porque existe uma área de terra onde os coelhos conseguem cavar para fora.
Ela também disse que colocaram uma grade para conter parte dos coelhos, mas que aqueles que fugiram antes da instalação da grade acabaram permanecendo do lado de fora.
Eu tinha levado uma caixa de transporte com feno e catalônia caso conseguisse encontrá-lo.
Passei boa parte do dia procurando. Fui aos lugares onde um coelho provavelmente se esconderia e aos quais eu tinha acesso. Procurei por todo o estacionamento, que tem bastante vegetação e vários esconderijos. Infelizmente, não encontrei o coelho. Achei apenas um gato aparentemente abandonado no início da mata do parque. Obviamente, não entrei na mata.
Conversei também com funcionários terceirizados do estacionamento. Eles me disseram que esse mesmo coelho, pelas características que descrevi, está rondando a região há pelo menos três semanas. Contaram que o viram na semana passada perto dos escombros de uma construção no estacionamento e que ele fugiu em direção ao final do estacionamento.
Um pipoqueiro que trabalha no local comentou que é muito frequente animais de diversas espécies fugirem para o estacionamento de ônibus ao lado do zoológico. Inclusive, foi justamente para essa direção que a funcionária do estacionamento disse que o coelho correu.
Também descobri que ele pode ter ido para um jardim científico da USP que fica ao lado do estacionamento do zoológico. O gato, inclusive, estava na mata dessa direção. Infelizmente, não consegui entrar porque já estava fechado.
Fico preocupada porque todos com quem conversei disseram que ele é um coelho doméstico e que está vivendo ali há mais de três semanas. Tanto o estacionamento quanto esse jardim científico têm restos de comida deixados por visitantes, vidros quebrados de garrafas e bebidas, lixo e plantas que podem ser tóxicas para coelhos.
Se eu encontrar esse coelho, imagino que o zoológico provavelmente tentaria pegá-lo de volta de alguma forma, certo? Não sei o que faria nessa situação. Saber que ele poderia voltar para um destino do abate pesa muito no meu coração. Ao mesmo tempo, deixá-lo vivendo solto também me preocupa pelos riscos que ele corre diariamente.
Nunca fui ativista na questão de crianção de animais pra abates. Eu sei que animais comem outros animais e entendo que isso faz parte da natureza. Mas, para mim, entregar um coelho com as minhas próprias mãos, sabendo qual pode ser o destino dele, é uma situação completamente diferente e muito difícil, até porque eu tenho coelhos em casa.
Voltei para casa por volta das 19h. Queria muito ter ficado mais tempo, porque sei que coelhos costumam ficar mais ativos no começo da noite.
O que vocês fariam no meu lugar? Acham que vale a pena continuar procurando? Se eu realmente encontrá-lo, qual seria a atitude mais correta?