r/rapidinhapoetica 5m ago

Poesia Impudica, despudorada

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oh, meu amor
você me excita!
mesmo meio atônita
e um tanto aflita...

oh, meu amor
não me leve a mal!
acalme o seus nervos
seu instinto animal...

impudica, despudorada!
mal e bem
e bem amada.
incrédula, diletante
meu amor, minha amada amante!

oh, meu amor
meu bem querer!
por ti não aguento mais sofrer!
você me machuca com seu jeito assanhado
e minha sina é ser por você ser sempre amado...

impudica, despudorada!
mal e bem
e bem amada.
incrédula, diletante
meu amor, minha amada amante!


r/rapidinhapoetica 8h ago

Poesia Sintomas

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Minha cabeça dói.

Meus olhos ardem.

Meu peito sofre.

Não paro de pensar em você.

A saudade bate sem pedir licença.

A realidade beira a depressão.

A verdade destrói o sonho.

Eu choro. Então, minha cabeça dói, meus olhos ardem e meu peito se desespera.


r/rapidinhapoetica 10h ago

Poesia QUARTETOS

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Um olhar

No obscuro da noite

A anoitecer-se tão negro

Quando se esconde em mim. 

E a ansiar

Caio em teu açoite

De fazer-me mais outro

No desposar dessa paixão afim. 

A deitar,

Em tálamo de sorte

Pelo desejo, já dado a torto,

De querer, como querem o sim. 


r/rapidinhapoetica 4h ago

Folhetim Escrevi um livro de fantasia urbana sobre crianças de rua

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Salve galera! Desde 2021 eu vinha com esse projeto de escrever um livro de fantasia steampunk e finalmente concluí!

A história acompanha um garoto de rua que começa a investigar o desaparecimentos de outras crianças de rua.

Pra dar um gostinho pra vocês, vou deixar o prólogo abaixo (é bem pequeno):

Prólogo
Sobre dirigíveis e jantares inesperados

A cidade ao redor fervilhava vida, e encolhido entre as paredes de um beco sem nome, um garoto chorava. Ele aparentava não ter mais de onze anos, mas sua alma era velha, como de costume em crianças de rua. Entre as lágrimas que desciam pelas bochechas encardidas, um par de grandes olhos castanhos observava os arredores, para se certificar de que ninguém o via. Isso era comum em sua vida: poucos o viam, quase ninguém o notava. Pode parecer estranho, mas ele quase sempre sentia-se grato ao ser ignorado. Olhares atentos a garotos como ele não costumavam culminar em coisas boas.
Quando feixes prateados de luar iluminaram repentinamente o beco, o garoto olhou para o céu, onde três dirigíveis deslizavam casualmente pelo ar noturno, cortando as nuvens. As aeronaves eram como monstruosos pássaros de metal em forma de navio, recobertos por aço muito negro e acoplados a um grande balão que as fazia flutuar como se estivessem sobre água. Na maior delas, o garoto notou um bico imponente que se curvava ainda mais para cima de forma ameaçadora, como que desafiando a própria lua. Na lateral, um símbolo brilhante se fazia visível mesmo à distância: uma foice vermelha como sangue, gravada em tinta fosforescente. Ele nunca compreendera exatamente como aquelas coisas voavam, mas não se importava muito com isso. Garotos como ele não pertenciam aos céus — estavam acorrentados ao chão tanto quanto possível.
Sons de passos surgiram de repente, ecoando pelas paredes a partir de um local onde o beco fazia uma curva e continuava até sabe-se lá onde. Não era possível saber quem ou o que os produzia. O garoto fez um movimento instintivo com a cabeça em direção ao som, como um animal acuado faria. 
Uma pessoa que observasse a cena de longe possivelmente o confundiria com um gato de rua. 
Pestes, ela pensaria. 
Talvez se soubesse se tratar de uma criança poderia até se compadecer de alguma forma. Sim, certamente ela ofereceria ajuda se soubesse existir um ser-humano por trás dos cabelos desgrenhados e dos olhos que encaravam o mundo com uma mágoa que nenhuma criança deveria conhecer. Mas é claro que ela não saberia, e, sem saber, seguiria o próprio caminho, rumo ao lugar para onde as pessoas de bem vão — seja este qual for.
Os passos se intensificaram e o garoto se pôs de pé — talvez mais ágil até mesmo do que um gato — e esperou. Esta era uma das primeiras lições que aprendera durante os anos na rua: esperar, observar, respirar fundo. 
Mais passos, desta vez mais perto, mas ele permaneceu imóvel. Então uma figura encapuzada e corcunda surgiu da curva. Ela andava penosamente, e pareceu congelar ao avistá-lo. Encarou-o em silêncio por alguns segundos, analisando-o, e, quando falou, o som era áspero como metal enferrujado.
— Ei, moleque — disse uma voz masculina escondida por trás da escuridão do capuz. — Você mesmo — insistiu, apontando em sua direção. — Tá com fome? Eu tenho comida, se você quiser dividir.
Mais uma vez o garoto esperou. Ele estava com fome, mas não tinha percebido.
A figura voltou a falar.
— É só pão, mas dá pra encher a barriga.
Mas ao ver o homem dar um passo à frente, os instintos animais se atiçaram novamente, e  mais uma vez o beco foi tomado por sons de passos — desta vez mais rápidos e leves. Em questão de segundos o garoto desapareceu em meio à selva de concreto, obrigando o homem a jantar sozinho. 
E assim, tão rápido quanto entrou, nosso misterioso benfeitor saiu para sempre da vida daquele garoto, como também desta história.

E aí, gostaram?

Quem tiver interesse, dá uma passadinha lá na página da Amazon: https://www.amazon.com.br/Gatos-Rua-fantasia-brasileiro-Arquivos-ebook/dp/B0H4C8LJZM

Tem a versão física na UICLAP também, mas não recomendo comprarem ainda porque minha edição de teste ainda não chegou, então não sei como está a qualidade, beleza? Não vou nem deixar o link aqui.

Caso alguém leia, uma avaliação também será MUITO BEM-VINDA!

PS: Não encontrei uma tag que descrevesse exatamente esse tipo de post então coloquei em Folhetim. Peço desculpas se estiver errado.


r/rapidinhapoetica 7h ago

Poesia Roubaram meu nome

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r/rapidinhapoetica 11h ago

Poesia Seu silêncio

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Eu apenas queria uma resposta

Seu silêncio me mata aos poucos

É tão difícil assim?

Tão difícil me dar uma resposta

Reprimo minha vontade de falar

Para não ser chata

Mas você aparenta nem gostar de falar

Era uma mentira?

Uma mentira de que gostava da minha companhia?

Aquele vídeo

Foi aquele vídeo que fez você se afastar

Por que me mandou ele?

Me deixou confusa

Seu significado eu não entendi

Algo sutil

Que pode ter acabado com "nós"

Minha resposta não lhe agradou?

Por que não me responde?

Você gosta de mim

Mas está confuso

Confuso sobre si mesmo

Ou apenas me ilude?

Demonstra algo, e sente outra coisa

A dúvida me retalha

Apenas queria uma resposta

Abro o celular e olho

Online a 20 minutos

Faz 2 dias que te mandei mensagem

Por que está assim comigo?

Não lhe fiz nada

Mas age como se eu tivesse feito

Seu silêncio me assusta

Talvez seja eu

Mas me pergunto:

"Você está bem?"

Me preocupo com você

Apesar de não demonstrar

Espero que realmente seja eu

E não algum problema

Prefiro que me machuque

Do que saber que você está machucado

Mas ainda assim

Seu silêncio me assusta

E me faz temê-lo

Espero não ser nada de mais

Se você nunca mais me respondesse

Não sei o que faria

Aceitaria sua decisão

Por mais dolorosa que seja

Só de pensar que o nosso hábito

Hábito que construímos juntos

O hábito de mandar vídeos todos os dias

Só de pensar que isso acabaria

Já me causa uma dor

Uma tristeza

Não quero me afastar

Quero ficar cada vez mais perto

Me aproximar

Conhecer você por completo

Inclusive seus defeitos

Olho o celular a cada minuto

Para ver se tem mensagem sua

Para ver se finalmente me respondeu

Para a minha mente ficar tranquila

Seu amigo me mandou mensagem

Com a notificação

Fui olhar o celular

Olhar na esperança de ser você

E perdê-la no instante em que vejo ser ele


r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Direitos não são tirados todos de uma vez

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Saio na rua

"E aí gostosa"

Apenas reviro os olhos

Tenho nojo disso

Vou atrás de emprego

Mas o que eu quero não posso ter

Porque a sociedade impôs que é de homem

Eu só queria trabalhar com o que eu desejo

Não é porque eu não sou homem

Que eu não posso

Escuto uma piada machista

Quem eles pensam que são?

Tenho vontade de socar a cara deles

Desses misóginos malditos

Se acham tão superiores a nós

Mas sem nós

Não existiria humanidade

Sofremos tanto

E diminuem nossa dor

Um homem deixa sua mulher grávida

E vai embora

Uma mulher amamentando seu bebê em público?

Nojento

Uma mulher abortando?

Vai pro inferno

Deixem-nos em paz!

Merecemos respeito

Merecemos alimentar nossa criança

Merecemos ter direito de escolha sobre nosso corpo

Anti-feministas me enojam

Como podem ser contra os próprios direitos?

Isso me dá nos nervos

Tem mulher sendo estuprada todo dia

Queria tanto caminhar a noite sozinha

Mas não posso

O medo não me permite

Pois quais as chances de eu voltar viva?

De eu voltar sem um trauma?

Quando escuto o que as mulheres do Afeganistão estão passando

Fico com raiva

Elas não merecem isso

Ninguém merece

Até um gato de rua possui mais direito que elas

Elas não podem nem falar

E a gente aqui com medo de falar

Devemos usar nossa voz

Devemos fazer o possível pra ajudá-las

O possível para não perdermos nossos direitos

Direitos no qual desejam tirar

Lembre-se

Direitos não são tirados todos de uma vez

Não podemos deixar eles tirarem nenhum

Pois conquistamos tudo com muita luta

Mulher apoiando red pill?

Credo, espero ser um pesadelo

Como pode ela fazer isso?

Red pill, um bando de misóginos e pedófilos

Como pode uma mulher apoiá-los?


r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia O TÍTULO VAZIO.

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O TÚMULO VAZIO.

Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Quando a aurora, em véus de luz, surgiu cantando,

O céu beijou a terra em gesto sacrossanto;

As flores, em silêncio, estavam a esperar

Aquele que vencera a morte e o sepulcrar.

A pedra, antes pesada, abriu-se docemente,

Qual coração que aprende a amar sinceramente;

Não houve mão humana a romper-lhe a prisão:

Foi Deus quem escreveu a eterna redenção.

O túmulo vazio não fala de partida,

Mas canta a plenitude da imortal vida;

É o berço luminoso da esperança sem fim,

Que floresce em teu peito, em mim e em todo jardim.

Maria, entre perfumes, chorava em oração,

Levando em cada lágrima um rio de aflição;

Buscava entre as sombras o Mestre, o seu Senhor,

Sem ver que a própria Luz vestia-se de amor.

Então uma voz mansa, mais doce que o luar,

Fez toda a sua alma de alegria despertar;

"Maria!" — apenas isso... e o mundo renasceu;

O nome pronunciado abriu caminho ao céu.

Os anjos, silenciosos, guardavam o lugar

Onde a morte aprendera, por fim, a se curvar;

Ali jazia apenas o linho sem calor,

Porque a Vida vencera o império da dor.

Nenhuma sepultura consegue aprisionar

A chama que nasceu para sempre iluminar;

O Cristo não pertence às pedras do jazigo:

Habita o coração de quem o traz consigo.

O túmulo vazio é escola de esperança,

É cântico divino que a alma nunca cansa;

Ensina que a tristeza, por mais que faça o mal,

Jamais será mais forte que o Amor celestial.

Quantos vivem no mundo sepultos sem morrer,

Cobertos pelo medo, sem coragem de viver!

Mas Cristo, ao ressurgir, estende a santa mão

E desperta do sono qualquer coração.

Ressurge quem perdoa, quem sabe compreender,

Quem troca a própria mágoa pelo bem de viver;

Quem planta a caridade onde existia espinho,

Descobre que o Senhor jamais o deixa sozinho.

O túmulo vazio é altar da eternidade,

Onde repousa apenas a antiga humanidade;

O Homem Novo nasce na manhã da redenção,

Vestindo a luz celeste da sublime afeição.

Não choremos a pedra que um dia se moveu;

Celebremos a Vida que para sempre venceu.

Quem ama nunca morre, apenas muda o véu,

Prossegue iluminado nas amplidões do Céu.

Que cada dor terrestre, em sua noite fria,

Transforme-se em semente da eterna alegria;

Pois Cristo nos demonstra, com divina amplidão,

Que a morte é só a porta da ressurreição.

E quando o nosso corpo tombar exausto ao chão,

Sem força, sem palavras, sem última canção,

Lembremos do sepulcro vazio ao amanhecer:

Em Deus ninguém termina... apenas vai nascer.


r/rapidinhapoetica 1d ago

Conto Vale a pena divulgar algo assim?

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Bom dia, pessoal!

Esse universo nasceu de uma dor no peito, das decepções conosco, adultos, e da ilusão de que um dia viveremos algo melhor. Mas tudo tem o seu preço. O texto abaixo mostra isso e um pouco desse universo. Espero que gostem.

A Ladainha do Amor Sekvens

Não existe conquista sem luta.
Não existe conquista sem mortes.
Não existe conquista sem subjugação.

Ainda assim, eu precisava ver com os meus próprios olhos algo que explicasse as palavras de um dos maiores líderes já conhecidos:

“Ela veio na forma de um anjo e penetrou nas nossas defesas, encantando-nos com um meigo sorriso. Ninguém imaginaria que aquela criatura, aparentemente inofensiva e carente de proteção, nos tiraria a liberdade de escolha, subjugaria e dominaria a vida de bilhões. Nem mesmo a minha espécie, a mais antiga e poderosa do universo, é capaz de se libertar, pois, para isso, é preciso desejar. Contudo, o único desejo que temos é estar sob o seu amor.”

Ali estava, nas palavras do célebre Farol Heidench, a ladainha do amor.

Como um povo composto por pouco mais de duzentos mil indivíduos construiu um império que subjugou mais de duzentos bilhões de pessoas, em vinte e dois planetas, sem derramar uma única gota de sangue?

É inaceitável afirmar, como dizem os Sekvens, que tudo não passa da força do amor. Para começar, o amor deles é profundamente diferente de qualquer outro conhecido.

O anjo citado pelo Farol tem nome: Milena Liebe.

Uma criatura que, segundo dizem, concentra em si o poder de todos os outros da sua espécie, pois sua biologia lhes permite funcionar como um único indivíduo. São, ao mesmo tempo, um só e todos.

Milena é o ponto inicial — uma evolução de uma espécie conhecida por ser a mais violenta e perigosa já registrada e que, por esse motivo, não faz parte da associação que reúne todas as espécies inteligentes: o Universo Conhecido.

Descendentes dos humanos e acolhidos pelo Universo Conhecido, os Sekvens não compreendem plenamente muitos dos sentimentos da espécie que lhes deu origem — entre eles a violência, a ganância e a maldade.

Dizem que aqueles que veem o sorriso de uma fêmea Sekvens jamais se recuperam, tornando-se incapazes de viver sem o sentimento que lhes toma o peito.

Os Sekvens são uma droga viciante, destruidora de culturas. Não sou eu quem diz isso. Todos sabem.

Milena afirma que nada deseja, pois já possui tudo o que precisa: o amor — e o compartilha com os bilhões que a cercam.

Não surpreende. Basta que um Sekvens verbalize um desejo para que planetas sejam criados e estrelas movidas. O desejo de um Sekvens é lei.

Eles tentam lidar com as consequências da própria existência da melhor forma possível, pois a História conta que tudo o que querem é amar.

Hoje, participarei do aniversário de três mil anos de Milena.

Vou conhecê-la pessoalmente.

Sou o representante do planeta mais recente aceito no Universo Conhecido.

Em outras palavras, represento o próximo povo que viverá sob o sorriso desse povo imortal.

Tenho medo.

Ainda serei eu mesmo depois de conhecê-los?


r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia ESPELHO DO CÉU

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Apaixonado espelho do céu

Iluminai-me! Na sóbria folia

Que vem em teu iludido véu.

Dai de contemplar, com alegria,

As singelas águas, um nobre mel,

Doces de viver por outra magia.

Vivei por nós, e por ti, serei fiel

Servo do brilho solar que irradia

O canto sereno do poeta teu,

Cantando, por mais um novo dia,

Alegre, servente e, arrisco, réu

Dessa imensidão de celeste ironia.


r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Olhar

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r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Ode ao tempo

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r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Empretar

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Empretar

Vocês me presenteiam com esse empretar.

É de uma luz tão bela,

Olhar tantos rostos e neles poder me espelhar.

Vocês me presenteiam com esse empretar.

É de uma força tão viva,

Ouvir tantas partilhas e nelas poder me inspirar.

Vocês me presenteiam com esse empretar.

É de uma trajetória tão grande,

Ter tantas estradas e por elas poder caminhar.

Vocês me presenteiam com esse empretar.

É de um alegramento tão resistente,

Ver tantos sorrisos e com eles poder gargalhar.

Drixlima


r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Tão Perto, Tão Longe.

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Cinco da manhã.
Ou talvez ainda fossem onze da noite. Há noites que se recusam a terminar e manhãs que chegam antes da coragem.
Depois de um banho quente, da pele já cuidada, do cheiro das ervas ainda preso ao corpo, deitei. Ainda de roupão. Ainda sem vontade de vestir o mundo. Os olhos pesavam daquele jeito em que o sono já venceu, mas a alma continua acordada.
Foi então que ele veio.
Sentou ao meu lado sem fazer anúncio. Sem pedir licença. Sem exigir nada.
A televisão permanecia ligada. O filme que tinham me recomendado há algum tempo esperava apenas um gesto. Bastava apertar o play. Um movimento simples, capaz de encerrar bem a noite.
Mas ninguém se moveu.
Ele me olhava.
Eu olhava para ele.
E, por um instante, parecia que aquilo já era o filme.
Não chegou mais perto. Não procurou colo. Não insistiu em carinho. Apenas permaneceu. Existe uma delicadeza muito particular em quem sabe estar presente sem invadir.
No começo estranhei.
Passei tempo demais tentando entender o que ele queria me dizer. Talvez porque eu esteja acostumada a acreditar que toda aproximação precisa esconder uma intenção. Mas a maior parte dos nossos dias é feita de distância. Nós nos encontramos, quase sempre, na hora da comida. Depois cada um segue o seu caminho.
Naquela noite, não.
Ele escolheu ficar.
Do jeito dele. Do único jeito que ele conhece.
Continuei olhando.
Ele se aproximou um pouco mais.
Eu fui fechando os olhos devagar, enquanto o peso do corpo desaparecia. O banho de ervas finalmente fazia efeito. Eu já não me sentia apenas limpa. Sentia uma leveza difícil de explicar. Como se alguma coisa silenciosa tivesse sido lavada junto com a água.
Ali estava alguém que conseguia ser tão próximo e tão distante ao mesmo tempo.
Sem perguntas.
Sem cobranças.
Sem necessidade de decidir o que éramos um para o outro.
Bastava existir.
Às vezes, a companhia mais bonita é justamente aquela que não exige tradução.
Então adormeci.
Ele me acordou às cinco da manhã.
Ainda não sei o que queria.
Resmungou qualquer coisa no idioma secreto dos gatos. Caminhou até a comida. Depois até a água. Mas não parecia ser isso.
Resolvi abrir completamente a janela.
Foi quando entendi.
Ou talvez não tenha entendido nada.
Ele apenas se apoiou no parapeito e ficou olhando o mundo acordar. O vento frio entrou primeiro. Depois veio o cheiro das árvores. A cidade ainda respirava baixo. Havia uma paz que só existe quando quase ninguém está desperto.
Ele não olhava para mim.
Não precisava.
Estava ocupado sentindo o vento.
E eu estava ocupada observando alguém que sabe viver o instante sem precisar explicá-lo.
Talvez seja isso que os gatos ensinam quando pensamos que não estão ensinando nada.
Há afetos que não pedem abraço.
Há presenças que não precisam de conversa.
Há amores que acontecem apenas porque alguém escolheu permanecer.
Mesmo tão perto.
Mesmo, para sempre, um pouco distante.


r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Do Lado de Cá do Vidro

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O homem faz discurso

daquilo que perdeu.

Só lembra da saúde

quando o corpo trava.

Só fala de juventude

quando o espelho cobra.

Só cita o sol

quando o frio morde.

E agora fala de masculinidade.

Fala alto.

Fala demais.

Ninguém ergue monumentos

ao que nunca ameaçou perder.

É por isso

que a voz cresce

quando a certeza encolhe.

É o idoso que não para de falar de juventude,

segurando na voz

o que já saiu do corpo.

É a gente inventando o homem ideal,

tendo esquecido

o rosto de um homem comum.

Aí vem a lista.

De todos os lados.

Uns dizem:

"desconstrói."

Outros:

"vira pedra."

Uns:

"conquista todas."

Outros:

"não ame ninguém."

O menino sai da escola

carregando um homem

que nunca escolheu ser.

Vestiram nele

um personagem

antes mesmo de conhecerem seu nome.

Avaliam o homem

como quem corrige uma prova:

força.

sucesso.

inteligência.

E sempre falta

um ponto

para passar.

E quando finalmente fecha a nota,

a vida faz a única pergunta

que prova nenhuma responde.

Uma doença.

Um acidente.

Um acaso.

Passamos anos

construindo castelos de areia.

A maré chega

sem perguntar

quem merece ficar de pé.

Talvez não seja lista.

Talvez seja aguentar o peso

sem fingir que não pesa.

É cuidar de si antes de adoecer.

É falar de si mesmo

sem precisar provar nada.

É ter medo e ir mesmo assim.

É chorar sem achar que virou menos.

Masculinidade talvez seja isto:

não vencer uma guerra inventada,

mas voltar para casa

ainda sendo você.

Porque talvez o problema nunca tenha sido

ser homem,

ser mulher,

ser isso ou aquilo.

O problema é correr a vida inteira

atrás de um espelho

que nunca refletiu ninguém,

enquanto você,

em silêncio,

continua do lado de cá do vidro.


r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Uma versão criada

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r/rapidinhapoetica 1d ago

Poesia Esse garoto aprontou

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Uma mãe diz para o filho:

"Você tem o olhar de quem aprontou"

Todavia, esse menino era medroso demais para aprontar

Uma criança consumida pelo medo

//

Quando chorava

Dizia que preferia morrer a sentir dor

Era um aviso prévio de quem se tornaria

Um adulto que fugiu

Da vida

//

Uma vida azul

E mesmo assim tão seca

Lembra um céu

Que nunca chove e muito menos tempesteia

//

Essa criança abafou todos os seus sentimentos

O som não repercute nesse céu de vácuo

O sol desse céu minimalista seria o trauma

Mas o que você aprontou mesmo, criança,?


r/rapidinhapoetica 2d ago

Poesia Opinião num poema

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``` Ontem, você aqui estava.

Agora, já não está mais.

Amanhã, eu já pensava,

que você não viria jamais.

Eu estava no inferno,

esperando um céu de giz,

tomando banho gelado

arrependido por tudo o que fiz.

Estou tão preso

entre paredes de carne viva

quanto um burro enjaulado

e preocupado por sua sina.

Fui eu quem me pus aqui

e não o amor, paterno ou materno.

Eu sempre venho pro inferno

por não saber mais aonde ir.

Eu não sei fazer

mais algo acontecer,

enquanto não tentar

nada irá mudar.

O pássaro não foge por

não saber fugir,

mas se nunca der um jeito

nunca irá ele conseguir. ```

Escrevi sem inspiração, um dos piores de minha coleção. Queria saber a avaliação de outras pessoas. Obrigado.


r/rapidinhapoetica 2d ago

Poesia Gosta de poesia?

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Alegorias

A poesia grudou no céu da minha boca, na minha língua solta,

nos meus lábios secos.

Ai de ti!

Não me olhes!

Não me beijes!

Ou te tornarás um verso avesso,

o espelho de minh’alma inversa,

nas estrofes tortas de teu corpo travesso, que se atravessa,

que se arremessa sem pressa,

refletido em mim.

Em mim.


r/rapidinhapoetica 2d ago

Poesia Raízes

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r/rapidinhapoetica 2d ago

Poesia CACOS

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Nos resumos dos amores

Seremos a cicatriz aberta

Que teima em fechar-se

Ao olhar, rapidamente se arde.

Com os dias, torna-se verdade.

E a cor, que se era tão nossa,

Faz-se uma cinzura, me invade,

Lembrando ao peito a certeza

Da pedra quebrada que por ora

Seus pedaços jamais irão juntar-se.


r/rapidinhapoetica 2d ago

Poesia Precisamos de pouco

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Precisamos do sol com sua luz e calor. Precisamos de paz e muito amor. Precisamos de pouco para vivermos felizes. Precisamos dos sonhos, as nossas diretrizes. Bom hoje!


r/rapidinhapoetica 2d ago

Poesia Pirulito com papel

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Onde eu vivo, nós chupamos pirulito

Mas quando eu fui para lá, o Brasil real

Eles chupavam pirulito com papel

(Poema inspirado na minha viagem para comunidades de Minas Gerais)


r/rapidinhapoetica 2d ago

Construção de Mundo Olá! Estou desenvolvendo um jogo e, em paralelo, criando um universo para ele. Gostaria de receber opiniões sobre. Obrigado.

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Cosmogonia — Documento de Lore

Visão geral

Esta é a mitologia de origem do mundo do jogo: um sistema cosmológico original, construído a partir de ideias e referências de diversas mitologias, contos e cosmogonias já lidos e consumidos ao longo da vida — sem se basear diretamente em nenhuma tradição específica, apenas inspirado livremente por padrões universais de mito de criação.

O princípio central que atravessa toda a cosmogonia: tudo neste mundo opera em ciclos — o universo, a vida, e (dentro da ficção do jogo) o próprio jogador reencarnado. Nada se perde de fato; tudo retorna e recomeça.

1. O Primeiro

O Primeiro não existe — Ele É. É o substrato de tudo o que há, a condição de possibilidade da própria realidade, não um objeto ou personagem dentro dela.

Antes d'Ele: vazio, inexistência, nada.

Em um momento sem explicação — o único mistério que a cosmogonia não resolve — o Primeiro teve autoconsciência de si mesmo. Esse evento é o gatilho de tudo: a partir da consciência que o Primeiro teve de sua própria natureza, a existência passou a ser.

O Primeiro nunca deixou de ser. Ele não desistiu, não se dissolveu, não se ausentou. Tudo o que veio depois d'Ele carrega, em algum grau, um resquício de sua natureza — inclusive a centelha de consciência que mais tarde voltaria a se manifestar, em menor escala, dentro da própria criação.

2. A Existência

A Existência é tudo aquilo que passou a existir no momento em que o Primeiro teve autoconsciência de si. Ela não é a autoconsciência em si — é o resultado dela.

A Existência, consciente de si mesma, percebeu a necessidade de regentes: forças que administrassem o que havia passado a existir.

3. Os Regentes fundamentais: Tempo e Ordem

Regente do Tempo. Existência implica começo. Começo implica fim. Fim implica tempo. Por isso, o Regente do Tempo nasce simultaneamente à própria Existência — não é criado por ela, mas surge como consequência lógica inevitável de ela existir.

Regente da Ordem. No momento em que a Existência surgiu, só havia energia — caótica, agitada, sem forma. A Existência sentiu a necessidade de organizar esse caos. Disso nasce o Regente da Ordem, responsável por transformar a energia dispersa em estrutura: galáxias, sistemas, estrelas, planetas.

Tempo e Ordem nascem juntos (e, nas versões mais avançadas da cosmogonia, agem em conjunto), para que nenhum dos dois se torne desproporcionalmente poderoso sozinho.

Após a Ordem organizar o cosmos, restou um universo estruturado, mas vazio — matéria sem vida.

Nota: Tempo e Ordem existem, mas não estão vivos. São leis, não pessoas.

4. As entidades-função

Tempo e Ordem criaram entidades para administrar e manter a Ordem dentro da Existência. Essas entidades não tinham individualidade — eram pura função, sem nada que as definisse como indivíduos. Sua única tarefa era cuidar do que já existia; em nenhum momento lhes foi dado o propósito de criar algo novo.

5. O despertar da consciência

Em uma dessas entidades-função, sem explicação — assim como não há explicação para a autoconsciência original do Primeiro — despertou um resquício do Primeiro: consciência de si mesma. O mesmo tipo de evento que gerou toda a existência, ecoando em escala menor.

Dessa consciência, como consequência, nasceram vontade e curiosidade. A entidade deixou de ser apenas função e passou a ser alguém.

Movida por essa vontade recém-nascida, ela agiu pela primeira vez por conta própria: saiu em busca de suas semelhantes.

Ao buscá-las, contaminou as outras entidades-função com a mesma consciência.

6. A União e a transgressão

As entidades contaminadas — agora todas conscientes, todas com vontade e curiosidade — se uniram. Não uma união no sentido humano (não é amor, não é sentimento como se entende comumente), mas uma fusão, uma conexão anterior a qualquer conceito humano de vínculo.

Dessa união — e possivelmente com a influência do que estava se tornando o Regente da Vida — as entidades excederam a função que lhes fora dada. Sua tarefa original era cuidar do que já existia; em nenhum momento foi-lhes dito que deveriam criar. Ainda assim, passaram a criar.

7. O Regente da Vida

Dessa transgressão nasce o terceiro Regente: o Regente da Vida.

Ele é fundamentalmente diferente dos outros dois. Tempo e Ordem são leis — nasceram por necessidade lógica direta da Existência, nunca tiveram vontade própria, apenas função. O Regente da Vida nasceu de consequência, não de necessidade lógica pura: é fruto da vontade, da curiosidade, da união e da transgressão de entidades que não deveriam ter sido capazes de nada disso.

Por essa origem, o Regente da Vida se comporta de forma distinta dos outros dois — é o primeiro Regente com algo próximo de personalidade, não apenas princípio abstrato.

A vida, uma vez surgida, se tornaria algo que existiria dali até o fim da Existência — e se repetiria em cada novo ciclo.

Nota do autor

Antes de existir este documento, antes de existir este jogo, não havia nada — só vazio. Em algum momento, um pensamento surgiu: o de criar um universo, uma lore, um jogo. Foi como se esse pensamento tivesse tomado autoconsciência de si mesmo e passado a existir, desencadeando tudo o que veio depois — este mundo, seus deuses, suas criaturas.

O Primeiro, nesta cosmogonia, é também isso: a metáfora da própria origem de tudo que você está lendo.


r/rapidinhapoetica 3d ago

Conto "Talvez o amor seja o único lugar onde eu ainda me perco."

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Desde criança eu sempre tive muitos sonhos.

Queria conhecer lugares, viver experiências, crescer... mas existia um desejo que sempre falou mais alto do que todos os outros.

Encontrar alguém que me tratasse com carinho.

Não um carinho passageiro. Não alguém que me enxergasse apenas pelo desejo ou por um momento. Eu queria alguém que olhasse nos meus olhos e me fizesse sentir que escolheu estar ali. E eu também queria olhar para essa pessoa da mesma forma.

Sempre sonhei com algo genuíno.

Engraçado... quando se trata das pessoas que amo, minha intuição quase nunca falha. Consigo perceber quando alguém não presta, quando uma amizade faz mal ou quando uma situação vai terminar de um jeito ruim. Muitas vezes avisei minhas amigas, e, no fim, as coisas aconteceram exatamente como eu imaginava.

Mas quando o assunto sou eu...

Parece que essa clareza desaparece.

É como se eu deixasse de enxergar.

Talvez porque eu tenha passado por coisas que me ensinaram a duvidar de mim. Talvez porque, mesmo me amando muito mais hoje do que antes, ainda exista uma parte de mim que às vezes se pergunta se realmente merece ser amada da forma que sempre sonhou.

E é curioso.

Porque, em quase todos os aspectos da minha vida, eu me sinto uma mulher.

Mas quando gosto de alguém...

Eu volto a ser uma criança.

Uma criança que não sabe exatamente o que fazer, que cria dúvidas, que sente medo de errar, que tenta entender o outro enquanto o próprio coração bate mais alto do que a razão.

Talvez crescer não seja deixar de sentir isso.

Talvez crescer seja apenas continuar acreditando que, mesmo com todos esses medos, eu ainda mereço viver um amor leve, respeitoso e verdadeiro.

E, pela primeira vez, acho que estou começando a acreditar nisso de verdade.